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  • Sílvio Ribas

Geopolítica pós-pandemia

A história nunca pára e o comércio continua sendo fonte de paz e de conflito entre as nações. Vejamos o que a Covid-19 nos trouxe agora.


O terrível impacto da pandemia do novo coronavírus ao longo de 2020 há muito transbordou as questões de saúde e economia mundiais. O maior, mais intrigante e deveras complexo efeito da crise epidêmica está se dando sobre as correlações de poder entre os países mais decisivos no jogo global. As peças do tabuleiro já mudaram, gerando ansiedade e incertezas.


Enquanto Estados Unidos e China se consolidam como os polos da chamada “nova guerra fria”, a Europa sai em busca de protagonismo proporcional ao tamanho de sua economia e tradição. As duas maiores economias estão em rota de colisão devido a ruídos e estratégias comerciais, além de pressões domésticas, sobretudo a eleição americana em novembro.


A China se recuperou rápido do baque global que ela mesma inaugurou e, do lado oposto, os EUA saltaram à liderança global de contágios e mortes pela Covid-19, além de sofrerem tombo histórico na economia, que ia muito bem, garantindo reeleição fácil para Donald Trump. A Alemanha, de novo, mostrou-se a mais competente em deveres de casa, saindo politicamente mais forte da crise sanitária. Com a França, ela lidera a retomada europeia.


Apesar dos receios de conflito militar entre EUA e China, essa situação só ocorria numa escala de tensões ainda mais vigorosa e provocada por algum vacilo na movimentação de aviões e navios ou qualquer outro acidente. O que está pegando mesmo é a percepção pelo Ocidente de novo patamar no poderio industrial chinês, com salto para o roll de patentes top.


Mesmo preocupada em recuperar a reputação perdida após a pandemia e para o susto mundial diante da dependência dos fornecedores chineses de equipamentos hospitalares e de proteção individual para a saúde, Pequim não deixa de falar grosso diante de ações defensivas anunciadas por EUA, Reino Unido e outros contra o avanço 5G da Huwaei. O Brasil precisa ficar atento para esses e outros desdobramentos para não sair perdendo.


Responsável pela produção de um terço de todas manufaturas do mundo, a China não quer exportar comunismo. Só precisa seguir prosperando para ousar ainda mais. O gigante asiático é o maior ganhador com a globalização vendida pelas potências ocidentais desde a queda do Muro de Berlim. Desta vez, por influência de governos direitistas, o mesmo Ocidente investe na desglobalização que acelera tensões. Só mais mercados nos salvam.


Antes dessa confusão toda, o mundo estava lidando com tendências que não vão mudar, como o do envelhecimento populacional, com as reações ao aquecimento global e a busca de alternativas de desenvolvimento local e regional. Avanços tecnológicos em geral e na saúde em particular também seguirão sua sina, bem como a larga expansão do acesso e dos usos das mídias digitais em consumos, trabalhos, estudos e relacionamentos. Vamos à luta!

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