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  • Sílvio Ribas

Pipelines do progresso brasileiro


Quando era presidente da Acesita, lá na segunda metade dos anos 1990, Wilson Brumer explicava o seu retumbante sucesso à frente da siderúrgica de aços inoxidáveis como sendo resultado apenas da adoção do óbvio. Logo em seguida o brilhante executivo mineiro completava a explicação com uma ressalva: “Mas como é difícil fazer o óbvio no Brasil”.


Levar esgoto sanitário e água tratada para todos os cidadãos é um desses muitos exemplos das várias demandas evidentes e duras a serem atendidas por aqui. Colocar as gigantescas jazidas brasileiras de gás natural à serviço da competitividade da indústria nacional é outra prova da existência de angustiosas e surpreendentes travas ao progresso social e econômico.


Atolado em profunda crise econômica gerada pela infernal pandemia global do coronavírus, o país ainda reserva potenciais únicos para se desenvolver, começando pelos tamanhos do território e do mercado consumidor. Mas os postos de quinta população e de quinta extensão são vantagens relativas porque precisam do óbvio para se converterem em prosperidade.


Há neste canto abençoado por Deus muito por investir, aprimorar e... lucrar, liberando as forças e riquezas por séculos ignoradas. O governo atual deu contribuição firme para viabilizar esse destino ao propor a abertura à competição dos mercados de saneamento básico e de gás natural, dominados pela presença estatal e derrotados nas suas promessas.


Redes de gasodutos podem e devem cobrir o país para impedir que fábricas sigam rumando para o Paraguai ou para a China, em busca de custo menor de produção, além de atrair outras de fora para cá. É o tal choque de energia barata proposto pelo ministro Paulo Guedes (Economia), o mesmo que impulsionou recentemente as economias americana e paraguaia. A concorrência na distribuição do gás fará volumes chegarem rápido aos clientes industriais, com preços finais até 40% menores.


A aprovação pelo Congresso do projeto que muda as regras para prestação de serviços de saneamento e prevê que empresas privadas possam prestar a atividade de fornecimento de água potável e coleta e tratamento de esgoto por meio de licitações será uma outra vitória do Brasil que quer ser gigante em todos os aspectos.


Além de levar saúde e cidadania ao povo, a mudança daria a largada para uma onda de investimentos em infraestrutura, algo que se tornou ainda mais desejado e urgente na atual crise econômica. A meta de universalizar o acesso à água potável e à rede de esgoto até 2033 fica factível, com dinheiro privado produzindo bem-estar e empregos.


Estima-se que serão investidos de R$ 500 bilhões a R$ 700 bilhões ao longo dos próximos 13 anos. Calcula-se também que para cada real investido nesse setor, gera-se o retorno econômico de outros três. Hoje, 94% das cidades são atendidas por estatais e só 6% por empresas privadas. Após 500 anos de aposta no setor público, doença e atraso ainda esperam pelo óbvio. Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 34 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada e 100 milhões não têm esgoto coletado.


Em vez de entrar pelo cano, o país pode agora prosperar como nunca apenas aterrando milhares de quilômetros de canos de gás, água e esgoto. É o óbvio do óbvio.

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